quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MOVIMENTOS SOCIAIS E PEDAGOGIA DA INDIGNAÇÃO

Jaime José Zitkoski
Paulo Peixoto de Albuquerque
Aline Moraes Alberto (tutora)

Objetivos:
- Discutir sobre os desafios de pensar e repensar as práticas sociais partindo dos espaços educativos que emergem das experiências dos Movimentos Sociais Populares no atual contexto da América Latina tendo em vista a capacidade da rebeldia e indignação dos mesmos diante da opressão e das injustiças sociais.
- Aprofundar o debate sobre as propostas pedagógicas de autores consagrados na construção de uma educação transformadora na ótica das classes populares.

- Analisar algumas experiências pedagógicas inovadoras protagonizadas pelos Movimentos Sociais Populares na busca de transformações estruturais da sociedade.



Hipóteses de trabalho deste seminário

1. A realidade não mobiliza as pessoas, pelo contrário, são as representações que as pessoas fazem é o que as mobilizam.
2. Pedagogicamente se trabalha a repetição para melhorar, mas paradoxalmente aquilo que melhora não é repetido.
3. Indignação não é escapismo contra cultural, mas um momento epifânico (experiência pico) tanto individual quanto coletiva, porem ambígua , pois pode legitimar o sem alternativa de um sistema de dominação
4. A indignação gera um reformismo pedagógico, sócio/político/cultural que gera o bloqueio do reformismo inicial.


A partir destas hipóteses de trabalho desenvolvemos durante 4 dias o seminário Movimentos sociais e pedagogia da indignação.

As reflexões foram disparadas a partir das leituras indicadas


CALDART, Roseli . Pedagogia do Movimento Sem Terra. Petrópolis : Vozes, 2000.
DUSSEL, Enrique. Ética da Libertação na Idade da Globalização. Petrópolis : Vozes, 2000.
FREIRE, Paulo.Pedagogia da Indignação. São Paulo : UNESP, 2005.
_____ Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1993.
GOHN, Maria da Glória. (org.) Movimentos Sociais no Início do Séc. XXI: antigos e novos atores sociais. Petrópolis : Vozes, 2003.
_____ Teoria dos Movimentos Sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo: Loyola, 2000.
LEHER, Roberto e SETÚBAL, Mariana (orgs.). Pensamento Crítico e Movimentos Sociais. São Paulo: Cortez, 2005.
MARTÍ, José. Educação em Nossa América. Ijuí: Ed. Unijuí, 2007.
SCHERER-WARREN, Ilse. Redes de Movimentos Sociais. São Paulo: Loyola, 2005.
SADER, Emir. A Nova Toupeira. São Paulo: Boitempo, 2009.
STRECK, Danilo (org.) Fontes da Pedagogia Latino-americana. Belo Horizonte: Autêntica, 2010

Por quê?

Porque o ato de indignar-se possibilita uma resposta ao abismo entre a realidade e o potencial humano. Indignação enquanto conduta contribui para que a técnica não exclua a ética, a cidadania, as realizações, a liberdade, leis e direitos.

A indignação parece ser uma das experiências das mais elementares do homem comum.

Puxa! Pô! Droga! Sacanagem!
Traduzem opiniões, crenças, propostas, aspirações e á sempre um modo de pensar o rela por meio de uma representação cultural que (na nossa perspectiva) traduz parâmetros e modelos dentro dos quais a coletiva se situa aceitando ou contestando uma dada realidade.

Ao pensar a indignação
O ser humano se relvela sujeito na medida em que enfrenta a inércia do sistema que o esmaga, por isso o seujeito se revela no grito que por sua vez revela as suas carências.

Ao pensar Pedagogia
Tem se presente uma área do conhecimento que articula processos de ensino/aprendizagem de modo a fazer com que os indivíduos possam ir além da suas capacidades e das expectativas que uma dada sociedade ou grupo tem.



Educação

É processo aberto, plural (por isso contraditório, entálpico) que se constrói em momentos de escolha entre pensamentos passados e presentes que possibilitam ao indivíduo situar-se no mundo a fim de que ele possa autonomamente construir-se com outros (ser coletivo) através de pressupostos ético/´políticos que fazem rupturas/mutações no pensamento único que impede o bem-viver porque vai além da instrumentalização técnica/utilitarista e pragmática.



Nesse sentido, a educação responde a um imperativo: que tipo de homem uma sociedade necessita:
Segundo o grupo deste seminário
Não competitivo, solidário, cooperativo, espontâneo, plural, autonomo


MOVIMENTOS SOCIAIS


Movimentos sociais ocupa um lugar central na teoria e na reflexão sociológica por se tratar de fenômeno polissêmico e que não pode ser entendido de forma esquemática.

Tem a ver com comportamentos coletivos e um modo peculiar de ação social que decorre de certas tensões sociais e se distinguem de outras ações coletivas em função do grau e tipo de mudança que pretendem provocar.

Segundo Alain Tourraine: Movimentos sociais são processos pelos quais uma sociedade cria a sua organização a partir do seu sistema de ação histórica, através do conflitos de classe e dos acordos políticos” (produção da sociedade, 1975) e que propõem novas solidariedades (F. Alberoni: Statu nacenti. Studi sui processi collettivi, Il mulino, Bologna.1968).

Interessante e importante ter presente nesta reflexão aquilo que foi apontado por Melucci (Conflito social e movimento social - 1997, 109)

“ os primeiros a se rebelar não são os grupos mais oprimidos e desagregados, mas os que experimentam uma contradição intolerável entre a identidade coletiva existente e as novas relações sociais impostas pela mudança.
Estes podem mobilizar-se mais facilmente porque:

• Já contam com a experiência da participação;
• Possuem lideres próprio e um mínimo de recursos de organização que provem dos vínculos comunitários ou associativos preexistentes;
• Podem utilizar redes de comunicação já existentes para fazer circular novas mensagens e novas palavras de ordem;
• Podem descobrir facilmente interesses comuns.

Ao fim e ao cabo, pensar movimentos sociais supõe analisar a passagem de um tipo de ordem para outra (do instituinte ao instituído) e de que forma a mudança social esta para além da política.


“Conjunto de práticas sociais temporárias realizadas preferencialmente nos espaços públicos – ainda que não exclusivamente – orientada para a promoção de demandas específicas e/ou para contrapor responder a problemas e ou necessidade sociais” (Paulo Albuquerque)


Apresenta-se como possibilidade para o cidadão e sinaliza algumas lógicas:
• Sócio/comunitárias: utopias e enfrentamentos
• Culturais: resignifica identidades
• Política: mobiliza para o confronto, assegura direitos
• Filosófica: decodifica, permite ler o mundo com os outros
• Pedagógica: gera saberes






RESPOSTAS SÃO FORMAS DE CONHECIMENTO, POSSUEM ORIENAÇÃO PRÁTICA E CONCORREM PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA REALIDADE COMUM


Este blog remete-nos ao âmago dos processos avaliativos que nem sempre contemplam o fazer coletivo reduzindo aquilo que pode ser inovador ou criativo a uma relação binária (professor/aluno).

Trata-se de uma estratégia ou mecanismo que busca no ciber espaços articular a cooperação dos pares com a efetiva participação; o processo não é simples, pois o que está em jogo não é um sistema de avaliação que incite o mérito ou provoque a eficiência.
O que está sendo proposto é uma concepção de avaliação que tem no re-conhecimento dos saberes coletivos o “qualis” buscado nos programas de pós-graduação e...em especial num programa de Educação.

As postagens têm não só valor de registro material e contextual, elas traduzirão as circunstancias, as possibilidades, assim como os limites e as contradições do grupo (incluindo os professores).

Trata-se de uma proposta de avaliação mensurável, mas não submissa, ou competitiva, seu diferencial de mérito está no fato de que pode ser crítica, séria e compromissada.

Para isso, depende das respostas que formos capazes de dar a esse desafio interno

23 comentários:

  1. Oi! Gostei do blog, acho que vai render boas reflexões! Abraços!

    ResponderExcluir
  2. Olá amig@s vou ler com mais calma o conteúdo do Blog e interagiremos...
    Felicidades a tod@s.
    João Carlos

    ResponderExcluir
  3. O aspecto que teve destaque para mim, no seminário, foi poder pensar que não falo de uma realidade mas da representação que faço dessa realidade.
    O que me mobiliza e que foi determinante para meu Mestrado foi a “representação” que fiz sobre a realidade dos Conselhos Escolares. Entretanto, com o Seminário, pude pensar sobre outra perspectiva, qual seja, a de que os outros segmentos – representei o segmento dos pais – tinham suas próprias representações. Logo, não estávamos falando de “uma realidade” eis que cada um de nós tinha representações muito diversas umas das outras. Gostaria de trocar idéias com os professores e com os colegas sobre como trabalhar o consenso, quando num mesmo grupo existem representações que, embora teoricamente devessem pensar “num mesmo sentido” – a qualidade do ensino que é oferecido pela escola – na prática parece que os caminhos se distanciam.

    ResponderExcluir
  4. As discussões que tivemos sobre Paulo Freire me “incomodaram” no sentido de questionar sobre os processos de aprendizagem e as práticas de ensino nos cursos de Administração, e seu impacto na constituição dos sujeitos cognoscentes. O ensino das técnicas de gestão centraliza-se em formas prescritivas, no sentido de aquisição de saberes técnicos que promovam soluções “mágicas” a seus empreendimentos. Sejam estes empreendimentos em formas organizacionais ou na gestão de suas próprias carreiras, afinal não se gerenciam apenas empresas, mas famílias, finanças pessoais, o futuro dos filhos. Ou seja, constitui-se a representação dos “Empreendedores de sucesso”, mas na realidade poucos tem a chance de alcançar este status devido à estrutura socioeconomica da sociedade. O problema é que esta representação se assenta em uma lógica hegemônica de atuação. Paulo Freire nos alerta para as possibilidades de estabelecer práticas de ensino, inclusive de gestão, que amplie nossas possibilidades de interação com a sociedade, além da lógica do “empreendedor de sucesso”, e possamos “incomodar” e nos indignar frente as nossas condições de existência – realidade social. O “segredo do jogo” talvez seja como os processos de aprendizagem possam articular representações já construídas e realidades vivenciadas no sentido possibilitar outras formas de nos constituirmos enquanto sujeitos. Ou não?

    ResponderExcluir
  5. Concordo Josiane, mas penso que o "segredo do jogo" está em pensar como passar "de um tipo de ordem para outra"!

    ResponderExcluir
  6. Sim, Isabel. Acho que você tem razão. Conseguir passar de uma lógica de atuação para outra é um exercício que ainda não nos oportunizamos realizar. Abs

    ResponderExcluir
  7. Caros colegas, para continuarmos pensando e discutindo sobre o que nos move e a favor de quem e contra quem trabalhamos, trago a minha experiência como professora da rede pública estadual do RS: trabalho há oito anos na escola XX e conheço sua história, considerando que também fui aluna dela.
    Estou muito incomodada e indignada com as posturas excludentes das políticas públicas educacionais e de colegas de trabalho, que “repassam” essas políticas de forma acrítica, a-histórica e encobridora do real.
    Venho a algum tempo pensando nessa contradição: a escola pública existe para as camadas populares, mas quem “pensa” o modelo dessa escola é a burguesia, que impõe “parâmetros de qualidade” de competição e consequente exclusão daqueles a quem deveria favorecer.
    Qual a saída?
    Compartilho a inquietação!

    ResponderExcluir
  8. Oi Aline e colegas, vejo que muitos dos diálogos oficiais são concebidos para a academia e representam o resultado de um ideal de diálogo (mas não são concebidos para a normalidade e banalidade do cotidiano). Então esqueçamos essa concepção ideal de diálogo e os diálogos de Platão, elaborados didaticamente, como também todos os pseudodiálogos, nos quais uma mistura de duas vozes é comunicada, em que uma soa um pouco menos inteligente do que a outra, e a parte menos inteligente é convencida, gradualmente, pelas ideias superiores do condutor do diálogo. Expresso de outra forma, esse é um processo não apenas monótono, mas até nocivo e humilhante, no qual ambos os lados (por razões didáticas) colocam sua credibilidade em risco por um gesto pseudomoral. Mas como dirigir nosso olhar para as concepções mais praticáveis de diálogo e, não obstante, não menos exigentes?

    ResponderExcluir
  9. Participei deste seminário como aluna PEC, me senti muito bem neste ambiente acadêmico e a impressão que tive dos colegas e professores foi positiva, grupo de alto nível e aberto ao debate e mudanças. Gostei da forma como foi conduzida a temática em questão, partindo das experiências, expectativas e indignações do grupo, embasado na fundamentação teórica de Paulo Freire, aconteceu um debate que durou quatro dias e o assunto não se esgotou. Pelo contrário, saímos do encontro com muitas interrogações, muitos conflitos internos, dúvidas permanentes e certezas provisórias.
    O ser humano se conforma facilmente com determinadas situações, a indignação deve fazer parte do dia a dia do homem, motivando-o a ação. Neste Seminário refletimos e debatemos sobre os movimentos sociais, objetivos, estratégias, finalidades, fatores envolvidos neste processo, imperativo da educação frente às desigualdades sociais e qual o perfil de homem que a sociedade necessita.
    Quanto mais a capacidade de observar, refletir, debater e agir é desenvolvida no ser humano mais facilmente o homem se aproxima das diferenças sociais construindo e desconstruindo conceitos, evidenciando com mais clareza a concepção das certezas provisórias possibilitando assim a intervenção consciente nesta realidade.
    A função da escola é formar esta consciência crítica e política no indivíduo preparando-o para o novo modelo de sociedade, onde através do trabalho útil e necessário se construa um sujeito autônomo, humano, coletivo e solidário.

    ResponderExcluir
  10. Isabel, também já me senti incomodada no local de trabalho, no meio docente, quanto a divergência de atitudes em relação ao fazer pedagógico. Sabemos que a diversidade de pensamento, de cultura, de crenças são importantes e necessárias para o crescimento do grupo, mas quando se trata de educação, no mínimo, deve-se seguir uma postura e um acreditar coerente com a proposta da escola, seguindo uma unidade para o bem comum. Quando isso não acontece, afeta a finalidade da educação que é a formação de cidadãos críticos, mas éticos.

    ResponderExcluir
  11. Juçara, disseste que "O ser humano se conforma facilmente com determinadas situações, a indignação deve fazer parte do dia a dia do homem, motivando-o a ação", com o que concordo. Entretanto, muitas vezes simplesmente seguir a "proposta da escola" vai de encontro com qualquer movimento de "indignação". Penso que neste caso, se simplesmente aceitarmos passivamente tal proposta, não estaremos atuando para vermos a formação de "cidadãos críticos e éticos". Penso que com o Seminário conseguimos compreender os movimentos de indignação, mas percebo que a grande dificuldade, ao menos para mim, é descobrir "como", respeitando as diversas representações da realidade, iniciar e levar adiante movimentos que possam contribuir para constituir novas representações.

    ResponderExcluir
  12. Caros (as), colegas,
    Vejo o quanto o seminário sacudiu com a galera. Tornamos-nos indignados cada vez que deparamos com a ação dos agentes alienadores desta sociedade perveça. A educação neste contexto torna-se um instrumento de disputa para revolucionar ou para acomodar. Como disse a Aline a burguesia gerencia o nosso modelo educacional, o que leva a sociedade para a acomodação. Mas, não esqueçamos que pela indignação dos sujeitos pensantes e ativos têm surgido frutíferos modelos antagônicos a esta proposta burguesa. A memória histórica das lutas e conquistas é importante para o resgate da consciência do poder das camadas populares e de que se tem construído modelos sociais, econômicos, políticos, culturais alternativos e que se fazem presentes em nosso cotidiano. Como afirma nosso Paulo Freire, a educação sozinha não transforma o mundo, mas sem ela isto t/b não acontece, então para isto faz-se necessário como educadores que somos em todas as instâncias da sociedade em que atuamos, devemos agir na indignação propositiva. ‘Afinal, somos brasileiros e nunca desistimos’.!!!

    ResponderExcluir
  13. Isabel, quando me refiro em aceitar e seguir a proposta da escola, penso naquela proposta que vem de encontro com uma realidade humanista, pensando no bem comum, respeitando as diferenças, trabalhando com responsabilidade, começando pela responsabilidade do professor, onde a teoria, o exemplo e a ética sejam colocados na prática, onde a escolha da profissão não tenha sido apenas um trabalho qualquer, mas sim, o amor, o prazer de exercê-la sendo o combustível diário. Sei, e concordo, que a proposta da escola nem sempre está de acordo com a realidade dela e que as normas são criadas,administradas e exercidas por pessoas diferentes,e muitas vezes com objetivos também diferentes. Daí, o desafio, como contribuir neste contexto?

    ResponderExcluir
  14. Professor Jaime, Professor Paulo e Aline!
    Penso que se houvesse intervenções por parte de vocês o blog poderia ficar mais interessante. Que acham?

    ResponderExcluir
  15. “...o processo não é simples, pois o que está em jogo não é um sistema de avaliação que incite o mérito ou provoque a eficiência. O que está sendo proposto é uma concepção de avaliação que tem no re-conhecimento dos saberes coletivos o “qualis” buscado nos programas de pós-graduação e...em especial num programa de Educação.
    As postagens têm não só valor de registro material e contextual, elas traduzirão as circunstancias, as possibilidades, assim como os limites e as contradições do grupo (incluindo os professores).”.
    Transcrevi parte da postagem que deveria dar início às manifestações porque achei interessante observar como reagem “alunos” quando tem o poder de guiar seu conhecimento e re-conhecimento. A proposta de utilização de um blog como substituto da avaliação que ocorre nas disciplinas de um programa de pós-graduação, assim como nas escolas leva a pensar o quanto ainda não estamos preparados para lidar com esta ferramenta.
    Não existem cobranças nem prazos fatais! Somos autônomos e responsáveis pela forma como encerraremos esta disciplina e aí o que acontece? Não sabemos bem o que fazer. Que tipo de manifestação será considerada pertinente? Será isso que os professores esperavam? Queremos que os alunos saibam bem aproveitar a tecnologia mas sabemos nós como é isso?
    Na avaliação tradicional temos uma relação restrita a nossos conhecimentos e a interpretação dos mesmos pelo professor. Ninguém mais precisa saber o que contém nossas “provas”. Entretanto, na modalidade proposta neste blog há a necessidade de cada um se expor e pior, com cada exposição registrada e acessível a outros.
    Parece que ainda não rompemos com o modelo tradicional que, embora muito criticado, não exige além de responder ao que é perguntado, sem surpresas inesperadas e sem a necessidade de sairmos de nossa “zona de conforto”. Fugi um pouco da proposta, mas senti necessidade de partilhar essa inquietação!

    ResponderExcluir
  16. Oi colegas, vejo que a pedagogia e os movimentos sociais representam importantes terrenos de luta cultural que oferecem não apenas discursos subversivos, mas também relevantes elementos teóricos que possibilitam repensar a escolarização como uma viável e valiosa forma de política cultural. Mas a pedagogia jamais germina em solo infértil. Por essa razão, um bom ponto de partida seria considerar a cultura popular como aquele terreno de imagens, formas de conhecimento e investimentos afetivos que definem as bases para se dar oportunidade à "voz" de cada um, dentro de uma experiência pedagógica. Então como ratificar as vozes dos educandos e ao mesmo tempo estimular a sua interrogação? Como lidar com a diversidade e as diferenças sociais em termos intelectuais, emocionais e práticos?

    ResponderExcluir
  17. Oi Elaine! Acabei de ler um texto que escrito pelo Bill Gates e que está sendo divulgado no facebook cujo título é “O que as escolas não ensinam” e lembrei de tua postagem. Gates diz que “a política educacional de vida fácil” é responsável por uma geração sem conceito de “realidade”. Fiquei pensando se a grande maioria dos alunos das escolas públicas teria essa “vida fácil” e se o texto seria realmente de estímulo ou serviria para arrasar qualquer sonho porque, independentemente de situação financeira e inteligência, quantos conseguiriam chegar onde chegou Bill Gates? Nosso grupo entende que a sociedade necessita de pessoas não competitivas, solidárias, cooperativas, espontâneas, plurais, autônomas, mas as pessoas, em geral, estão aplaudindo o que diz o texto.

    Trago o texto para conhecimento:

    “Vocês estão se formando e deixando os bancos escolares, para enfrentarem a vida lá fora. Não a vida que você querem, não a vida que vocês sonharam ter, a vida como ela é. Você estão saindo de um mundo educacional que está pervertendo o conceito da educação, adotando um esquema que visa proporcionar uma vida fácil para a nova geração. Essa política educacional leva as pessoas a falharem em suas vidas pessoais e profissionais mais tarde. Vou compartilhar com vocês onze regras que não se aprendem nas escolas:

    Regra 1: A vida não é fácil. Acostume-se com isso.

    Regra 2: O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa de útil por ele (o mundo) antes de aceitá-lo.

    Regra 3: Você não vai ganhar vinte mil dólares por mês assim que sair da faculdade. Você não será vice-presidente de uma grande empresa, com um carrão e um telefone à sua disposição, antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e ter seu próprio telefone.

    Regra 4: Se você acha que seu pai ou seu professor são rudes, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.

    Regra 5: Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seu avós tinham uma palavra diferente para isso. Eles chamavam isso de “oportunidade”

    Regra 6: Se você fracassar não ache que a culpa é de seus pais. Não lamente seus erros, aprenda com eles.

    Regra 7: Antes de você nascer seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por terem de pagar suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então, antes de tentar salvar o planeta para a próxima geração, querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente arrumar o seu próprio quarto.

    Regra 8: Sua escola pode ter criado trabalhos em grupo, para melhorar suas notas e eliminar a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar para ficar de DP até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola está despedido… RUA! Faça certo da primeira vez.

    Regra 9: A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre férias de verão e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

    Regra 10: Televisão não é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

    Regra 11: Seja legal com os CDF´s - aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas. Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um deles.

    ResponderExcluir
  18. Olá colegas!

    Foi muito proveitoso o curso! No meu caso, busquei escutar para conseguir trabalhar mentalmente uma série de dúvidas e questionamentos que tenho sobre a formação dos professores e sua atuação política. Partindo de uma postura pedagógica problematizadora, acredito que todo professor deve estar ciente que sua atuação ultrapassa a margem dissertativa de conteúdos escolares (Freire foi quem nos alertou sobre esta nefasta prática que imobiliza o sistema escolar). Concordo, portanto, que os processos formativos dos professores não objetivam um trabalho que desperte a leitura crítica da realidade, através de uma abordagem dialógica do mundo (aqui temos marcados os elementos freirianos de "Pedagogia do Oprimido").
    Nesse sentido, os cursos de formação de proefessores direcionam suas atenções para disciplinas descoladas do contexto (vejamos o caso das ciências naturais, cujas disciplinas educacionais são, frequentemente, descolados dos objetivos dos licenciandos).
    Nesse ponto, podemos conectar a questão da formação com a prática pedagógica, considerando que a primeira pouco contribui com a execução da segunda (diversas pesquisas apontam essa grave situação).
    A partir destas constatações, concluo (ainda que provisoriamente) que os elementos políticos que deveriam constar na formação profissional dos professores e que deveriam prover a sua prática de requisitos pedagógicos adequados, ainda são raros, quando pensamos nas propostas e currículos dos cursos de formação inicial.
    Quais seriam as consequências diretas dessa insuficiência? Paremos para analisar nosso projeto de mundo e de sociedade, compará-lo com o nosso contexto, nossos alunos e nossas escolas. Teremos as respostas.

    Abs. CARLOS VENTURA FONSECA

    ResponderExcluir
  19. UM FELIZ NATAL E UM ÓTIMO 2012 PRA TODOS! ABRAÇOS!

    ResponderExcluir
  20. Queridos

    Em primeiro lugar: como faz-me falta um ambiente multicultural como a sala de aula de nossa disciplina! Como foi rica a nossa experiência...Ética e esteticamente fomos uma turma bonita de se ver!
    Em segundo, gostaria de saber a opinião de vocês sobre a proposta para o Ensino Médio, que, na minha opinião, está atravessada pelos nossos debates.
    Um abraço caloroso, com votos de que tornemos a nos encontrar em 2012.

    ResponderExcluir
  21. Colegas,
    Primeiramente gostaria de desejar a todos um Feliz ano Novo, com muita saúde, paz e prosperidade! As aulas da disciplina foram muito enriquecedoras e a nossa troca de experiências me ajudou a refletir sobre situações e problemas contemporâneos, bem como no meu problema de pesquisa. Gostaria de indicar a vocês a leitura de um livro que li recentemente e que está bem dentro do que discutimos na disciplina: Hegemonia às avessas, que tem Francisco de Oliveira, Ruy Braga e Cibele Rizek como organizadores. É uma coletânea de artigos que apresenta reflexões que nos incitam a refletir criticamente a atualidade, mas também transformar o mundo em que vivemos. Uma leitura realmente muito rica e interessante. Que comecemos este ano com muita força para vencer os desafios e sabedoria para encontrarmos as melhores soluções. Grande abraço a todos.

    ResponderExcluir
  22. Colegas, vejam quanta "democracia?" quanta "justiça?" quanto "respeito ao outro?", "dignidade humana?"...
    Esse é o Brasil... Boaventura de Sousa Santos repudia violência.
    Convite para assistir:
    http://www.youtube.com/watch?v=7eNF0HZE0Zk
    http://www.youtube.com/watch?v=-juX_v8AQds

    ResponderExcluir