MOVIMENTOS SOCIAIS E PEDAGOGIA DA INDIGNAÇÃO
Jaime José Zitkoski
Paulo Peixoto de Albuquerque
Aline Moraes Alberto (tutora)
Objetivos:
- Discutir sobre os desafios de pensar e repensar as práticas sociais partindo dos espaços educativos que emergem das experiências dos Movimentos Sociais Populares no atual contexto da América Latina tendo em vista a capacidade da rebeldia e indignação dos mesmos diante da opressão e das injustiças sociais.
- Aprofundar o debate sobre as propostas pedagógicas de autores consagrados na construção de uma educação transformadora na ótica das classes populares.
- Analisar algumas experiências pedagógicas inovadoras protagonizadas pelos Movimentos Sociais Populares na busca de transformações estruturais da sociedade.
Hipóteses de trabalho deste seminário
1. A realidade não mobiliza as pessoas, pelo contrário, são as representações que as pessoas fazem é o que as mobilizam.
2. Pedagogicamente se trabalha a repetição para melhorar, mas paradoxalmente aquilo que melhora não é repetido.
3. Indignação não é escapismo contra cultural, mas um momento epifânico (experiência pico) tanto individual quanto coletiva, porem ambígua , pois pode legitimar o sem alternativa de um sistema de dominação
4. A indignação gera um reformismo pedagógico, sócio/político/cultural que gera o bloqueio do reformismo inicial.
A partir destas hipóteses de trabalho desenvolvemos durante 4 dias o seminário Movimentos sociais e pedagogia da indignação.
As reflexões foram disparadas a partir das leituras indicadas
CALDART, Roseli . Pedagogia do Movimento Sem Terra. Petrópolis : Vozes, 2000.
DUSSEL, Enrique. Ética da Libertação na Idade da Globalização. Petrópolis : Vozes, 2000.
FREIRE, Paulo.Pedagogia da Indignação. São Paulo : UNESP, 2005.
_____ Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1993.
GOHN, Maria da Glória. (org.) Movimentos Sociais no Início do Séc. XXI: antigos e novos atores sociais. Petrópolis : Vozes, 2003.
_____ Teoria dos Movimentos Sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. São Paulo: Loyola, 2000.
LEHER, Roberto e SETÚBAL, Mariana (orgs.). Pensamento Crítico e Movimentos Sociais. São Paulo: Cortez, 2005.
MARTÍ, José. Educação em Nossa América. Ijuí: Ed. Unijuí, 2007.
SCHERER-WARREN, Ilse. Redes de Movimentos Sociais. São Paulo: Loyola, 2005.
SADER, Emir. A Nova Toupeira. São Paulo: Boitempo, 2009.
STRECK, Danilo (org.) Fontes da Pedagogia Latino-americana. Belo Horizonte: Autêntica, 2010
Por quê?
Porque o ato de indignar-se possibilita uma resposta ao abismo entre a realidade e o potencial humano. Indignação enquanto conduta contribui para que a técnica não exclua a ética, a cidadania, as realizações, a liberdade, leis e direitos.
A indignação parece ser uma das experiências das mais elementares do homem comum.
Puxa! Pô! Droga! Sacanagem!
Traduzem opiniões, crenças, propostas, aspirações e á sempre um modo de pensar o rela por meio de uma representação cultural que (na nossa perspectiva) traduz parâmetros e modelos dentro dos quais a coletiva se situa aceitando ou contestando uma dada realidade.
Ao pensar a indignação
O ser humano se relvela sujeito na medida em que enfrenta a inércia do sistema que o esmaga, por isso o seujeito se revela no grito que por sua vez revela as suas carências.
Ao pensar Pedagogia
Tem se presente uma área do conhecimento que articula processos de ensino/aprendizagem de modo a fazer com que os indivíduos possam ir além da suas capacidades e das expectativas que uma dada sociedade ou grupo tem.
Educação
É processo aberto, plural (por isso contraditório, entálpico) que se constrói em momentos de escolha entre pensamentos passados e presentes que possibilitam ao indivíduo situar-se no mundo a fim de que ele possa autonomamente construir-se com outros (ser coletivo) através de pressupostos ético/´políticos que fazem rupturas/mutações no pensamento único que impede o bem-viver porque vai além da instrumentalização técnica/utilitarista e pragmática.
Nesse sentido, a educação responde a um imperativo: que tipo de homem uma sociedade necessita:
Segundo o grupo deste seminário
Não competitivo, solidário, cooperativo, espontâneo, plural, autonomo
MOVIMENTOS SOCIAIS
Movimentos sociais ocupa um lugar central na teoria e na reflexão sociológica por se tratar de fenômeno polissêmico e que não pode ser entendido de forma esquemática.
Tem a ver com comportamentos coletivos e um modo peculiar de ação social que decorre de certas tensões sociais e se distinguem de outras ações coletivas em função do grau e tipo de mudança que pretendem provocar.
Segundo Alain Tourraine: Movimentos sociais são processos pelos quais uma sociedade cria a sua organização a partir do seu sistema de ação histórica, através do conflitos de classe e dos acordos políticos” (produção da sociedade, 1975) e que propõem novas solidariedades (F. Alberoni: Statu nacenti. Studi sui processi collettivi, Il mulino, Bologna.1968).
Interessante e importante ter presente nesta reflexão aquilo que foi apontado por Melucci (Conflito social e movimento social - 1997, 109)
“ os primeiros a se rebelar não são os grupos mais oprimidos e desagregados, mas os que experimentam uma contradição intolerável entre a identidade coletiva existente e as novas relações sociais impostas pela mudança.
Estes podem mobilizar-se mais facilmente porque:
• Já contam com a experiência da participação;
• Possuem lideres próprio e um mínimo de recursos de organização que provem dos vínculos comunitários ou associativos preexistentes;
• Podem utilizar redes de comunicação já existentes para fazer circular novas mensagens e novas palavras de ordem;
• Podem descobrir facilmente interesses comuns.
Ao fim e ao cabo, pensar movimentos sociais supõe analisar a passagem de um tipo de ordem para outra (do instituinte ao instituído) e de que forma a mudança social esta para além da política.
“Conjunto de práticas sociais temporárias realizadas preferencialmente nos espaços públicos – ainda que não exclusivamente – orientada para a promoção de demandas específicas e/ou para contrapor responder a problemas e ou necessidade sociais” (Paulo Albuquerque)
Apresenta-se como possibilidade para o cidadão e sinaliza algumas lógicas:
• Sócio/comunitárias: utopias e enfrentamentos
• Culturais: resignifica identidades
• Política: mobiliza para o confronto, assegura direitos
• Filosófica: decodifica, permite ler o mundo com os outros
• Pedagógica: gera saberes
RESPOSTAS SÃO FORMAS DE CONHECIMENTO, POSSUEM ORIENAÇÃO PRÁTICA E CONCORREM PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA REALIDADE COMUM
Este blog remete-nos ao âmago dos processos avaliativos que nem sempre contemplam o fazer coletivo reduzindo aquilo que pode ser inovador ou criativo a uma relação binária (professor/aluno).
Trata-se de uma estratégia ou mecanismo que busca no ciber espaços articular a cooperação dos pares com a efetiva participação; o processo não é simples, pois o que está em jogo não é um sistema de avaliação que incite o mérito ou provoque a eficiência.
O que está sendo proposto é uma concepção de avaliação que tem no re-conhecimento dos saberes coletivos o “qualis” buscado nos programas de pós-graduação e...em especial num programa de Educação.
As postagens têm não só valor de registro material e contextual, elas traduzirão as circunstancias, as possibilidades, assim como os limites e as contradições do grupo (incluindo os professores).
Trata-se de uma proposta de avaliação mensurável, mas não submissa, ou competitiva, seu diferencial de mérito está no fato de que pode ser crítica, séria e compromissada.
Para isso, depende das respostas que formos capazes de dar a esse desafio interno